terça-feira, 11 de março de 2008

O Sol nasceu, a periferia dentro da universidade.

Nação Hip Hop Brasil de Rio Claro e universitários da UNESP criam o Cursinho pré Vestiular de Periferia.

Em meados do mês de Maio de 2007, universitários da UNESP e USP pararam o estado de São Paulo, lutando contra os decretos do Governador José Serra (PSDB), onde feriam completamente a autonomia das Universidades Públicas. Após vários dias acampados sem terem aulas, os universitários foram vitoriosos e caiu por terra os decretos da direita golpista.

Em Rio Claro, os estudantes da Unesp contribuíram para essa manifestação, tendo como apoio a presença de militantes da Nação Hip Hop Brasil, que ocuparam e dividiram os mesmos espaços dos universitários, fazendo com que a unidade prevalecesse e deste movimento de ocupação nascesse a discussão do Cursinho de Periferia.

Fim de ocupação, mas não fim ao projeto, onde estudantes e membros do Hip Hop continuaram com reuniões periódicas e cansativas, mas com um bem comum: Levar à periferia uma proposta; a de mostrar um mundo novo e a possibilidade de se verem dentro da universidade, não como projeto de estudo, mas sim como alunos. A cada reunião, cada debate e cada idéia colocada no papel, era possível ver que o projeto teria sim, vida e seria bem sucedido, mesmo com pouca ou nenhuma estrutura. O tempo passava e apareciam novos parceiros e alunos dispostos a entrarem junto nesse projeto.

A discussão muda de parâmetro, não se discute mais diferenças ideológicas dentro do grupo, agora a discussão é sobre grade de ensino, quem vai dar qual matéria, qual a disponibilidade de tempo para tais e o mais importante, onde será esse cursinho.

Após muito debate, fica-se decidido que o Cervezão é o local para essa experiência revolucionária acontecer, mas encontramos com diretores de escolas e as portas fechadas, indispostos a abraçar a causa, talvez por pré-conceito ou simples zelo dispensado, mas também dentro do bairro que é o maior de Rio Claro, encontramos gente disposta a ajudar e correr atrás de espaço, mas o tempo já corria e não poderíamos esperar, abrimos o leque de possíveis lugares e lembramos da famosa escola “Chancelar Raul Fernandes” já considerada a tempos como a segunda maior escola da América Latina.

Fomos até a escola, entramos em contato com a diretora que abraçou a causa e dela fez sua bandeira também. Estava assim montado todo o quebra-cabeça, agora o que teríamos que cuidar era de nossa ansiedade até o presente momento.

Dia 3 de março de 2008, chegada a hora, toca-se o sinal, Tardelli com a camiseta “Chaves es um guerreiro”, que poderia ser adotada como, “Universitários e Hip Hop são guerreiros”, as mãos suando, não daria para voltar e desistir, afinal de contas, nem queríamos isso, o que queríamos era ver a sala cheia de gente dispostos a aprender e com visão de um mundo novo, um mundo livre.

Chegam os primeiros alunos, daí então, entram vários, e mais até tomarem todas as 40 cadeiras. Uma alegria indescritível, emoção toma conta de todos envolvidos no projeto, faz-se passar um filme em nossas cabeças, lembrar do tempo de ocupação, de frio dentro da universidade, de discussão com toda a galera e agora com 40 alunos dispostos a aprender e nunca terem ciência de que se pode sim estudar sem ter dinheiro, e ainda por cima receber bolsa. Tudo isso é explicado nas aulas do cursinho de Periferia e também um modo revolucionário de ensino.

Hoje, 11 de março o que temos a relatar é que, não houve esvaziamento, pelo contrário, novos alunos querem participar e buscam por mais formação e informação.
Hoje a Nação Hip Hop Brasil de Rio Claro, vê dentro da escola Chanceler Raul Fernandes uma nova esperança para jovens de periferia e tem um único objetivo: AMPLIAR esse projeto pela cidade, região, estado e Brasil.

Por Curinga

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